“e eu me lembro, de nós dois juntos deitados na sua cama, sua camisa me servia de pijama, e a gente ria sem parar (...)”
Como é difícil distinguir sentimentos, como é difícil demonstrar o que sentimos e fazer com que acreditem no que falamos. Já não entendo mais muita coisa, só queria saber usar as palavras certas nas horas certas, só queria poder ser transparente o suficiente pra todos enxergarem o que já não consigo mais disfarçar, só queria ter segurança e segurar a sua mão para não ter medo de errar. As pessoas se intrometem, dão palpites, querem me fazer ver o que eu não quero. Abra os olhos Camila, abra os olhos. Mas, o que os olhos não vêem o coração não sente, já dizia minha avó. O segredo é chegar perto lentamente, mas não tão perto á ponto de se machucar e nem tão longe á ponto de parecer não se importar. Difícil. Eu que sempre fui tão sincera, acabo falando coisas que deveria guardar pra mim. Trouxa. Ninguém entende o porquê de tudo isso, quem me conhece se pergunta “o que ela esta fazendo?” e quando vejo que nada vai dar certo, que eu não vou conseguir me afastar, meu desejo é simplesmente me deitar em seu braço e ouvir sua respiração junto a minha. Durante poucas horas, pela madrugada adentro, um telefonema apenas, um boa noite, risadas naquele silêncio mutuo, cochichos e sussurros para não acordar ninguém e mais risadas. Às vezes aquelas risadas descontroladas e um sssssh, cala boca, eu te amo. Quem vê de fora acha estranho, quem está por perto estranha mais ainda, mas só quem sabe realmente o que se passa somos nós, ninguém além de nós, é um sentimento que às vezes não dá pra explicar, uma vontade louca de nunca mais te ver e te ver sempre, eu que sempre te chamei de bipolar me vejo agora multipolar! É carinho, preocupação, amor, amizade, cumplicidade, um amigo de anos, isso que só nos conhecemos alguns meses. Superproteção, choros, aquele sorrisinho de canto de boca, aquele olhar que me diz: vamos? Aquelas broncas necessárias, brigas nem tão necessárias assim, mas com as melhores reconciliações. Mas tudo bem, eu sei que esse carinho nunca vai mudar, pois não é normal e nem todos conseguem ser tão próximos e tão distantes quanto à gente, e que quando um precisar do outro, nós vamos nos encontrar novamente.
A, e mais uma coisa, só ligue pra dar boa noite, dorme bem.
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